Edição 037 do JOI
“A natureza não tem pressa. Ações de agressão de hoje podem concretizar reações anos ou décadas depois. Os pescadores de agora pagam o preço da decisão política desastrosa de 80 anos atrás”
Um dos maiores poluidores da Baía Babitonga, o rio Cachoeira, de Joinville, deve deixar de ser esse vilão. Depois de décadas de discursos falaciosos e promessas de campanhas eleitorais não cumpridas, finalmente a sociedade joinvilense recebe a notícia de que o governo Federal e a prefeitura, através da Cia Águas de Joinville, destinam recursos para investimentos de infraestrutura para ampliação da coleta e tratamento de esgoto sanitário da maior cidade de Santa Catarina.
O vergonhoso índice da falta de saneamento básico que deixa a cidade mais rica do Estado em situação pior que a Favela da Rocinha, RJ, por exemplo, deve mudar com essa decisão. Joinville tem aproximadamente (apenas) dez por cento da população servida com a coleta e tratamento do seu esgoto. No centro da cidade a rede pluvial recebe de casas, apartamentos, lojas e comércios esse esgoto doméstico e o despeja nos rios que deságuam no Cachoeira. Nos demais bairros a realidade é a mesma. Esgoto a céu aberto em valas e despejos diretos em mananciais tem sido a realidade de agressão ao meio ambiente, que finalmente começa a mudar.
A sociedade civil organizada precisa cada vez mais se mobilizar para conquistas como essa. Em Araquari, a audiência pública para discutir a reabertura do Canal do Linguado é mais uma ação bem vinda. A economia com base na pesca em Balneário Barra do Sul, finalmente entrou em colapso por causa da desastrosa decisão de fechamento do Linguado. A natureza não tem pressa. Ações de agressão de hoje podem concretizar reações anos ou décadas depois. Os pescadores de agora pagam o preço da decisão política desastrosa de 80 anos atrás. Precisamos corrigir nossos erros e dos nossos antepassados para garantir que as próximas gerações possam viver num mundo que ofereça qualidade de vida.
segunda-feira, 21 de junho de 2010
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